Notícia

Raso da Catarina: Única reserva biológica de caatinga no mundo


Jan 30
  2017

 

A região mais inóspita do semi árido brasileiro, localizado no norte da Bahia entre os municípios de Paulo Afonso, Jeremoabo, Canudos e Macururé, está o Raso da Catarina. Inicialmente pertencente a índios da tribo Pankararés, atualmente a localidade é uma Área de Proteção Ambiental (APA) e Estação Ecológica, fiscalizada pelo Ibama. Com 99.772ha a reserva abrange ainda parte dos municípios de Paulo Afonso, Rodelas e Jeremoabo.  A área é dividida em reserva biológica e indígena onde vivem os pankararés. A área de reserva biológica de caatinga é considerada única no mundo.

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O Raso recebe esse nome porque seu relevo é quase toda sua totalidade, plano com vegetação rasteira e Catarina é em homenagem a proprietária da Fazenda Catarina, que existe até hoje na região. Conta a lenda, que a fazendeira lutou contra a seca, mas foi derrotada por uma nuvem de gafanhotos que devorou a plantação de milho e feijão, deixando-a em estado de loucura e sozinha até o fim da vida. Dizem que seu espírito vaga a localidade ajudando vaqueiros a encontrar animais perdidos.

A seca é comum no Raso. Com temperatura que chega a atingir 43 C é difícil até se refrescar nos rios que cortam a região, pois a grande parte tem vida curta e o único que se mantém é o Vaza-Barris que forma o açude de Cocorobó. É difícil encontrar água por lá. É preciso muita sabedoria e astúcia, já que elas se escondem nas depressões nas rochas ou em locais onde o lençol de água subterrâneo fica próximo a superfície.

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SECA - Quem por lá habita, sobrevive por longos períodos de seca, já que com o solo árido, plantação não faz efeito. A saída é a criação de cabras e ovelhas, animais que resistem a esse tipo de solo e o sertanejo consome sua carne, porém o leite é reservado para os filhotes dos animais. O gado é criado solto e por muitas vezes, pode-se ver um típico vaqueiro, vestindo sua indumentária tradicional em couro a procura do animal.

A primeira vista, parece um território desolado, onde só brotam cactos, bromélias e imbuzeiros. Mas basta uma chuva leve para que a passagem acinzentada se transforma em verde. Nessa área localizada no Nordeste da Bahia, convivem vaqueiros, sertanejos, milhares de espécies de plantas (xiques-xiques, mandacarus, coroas de frade, os facheiros, as palmatórias etc), centenas de animais pouco conhecidos da ciência (arara azul de lear) e uma sociedade de índios panklararés.

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LAMPIÃO – O Raso da Catarina foi cenário de aventuras e esconderijo de dois famosos cangaceiros, o líder social Antonio Conselheiro, fanático religioso e revolucionário e o cabra-macho Virgulino Ferreira da Silva, mais conhecido como Lampião. O Homem Santo, como ficou conhecido Conselheiro, lutava pela justiça social afirmando que “roubar para se alimentar, não é crime” e com essa máxima ele ganha notoriedade entre os sertanejos e se torna uma “figura Santa” entre os homens. No ano da libertação dos escravos pela princesa Isabel (1888), muitos dos escravos libertos, sem residência e trabalho viajam em busca do “Bom Jesus” e encontram em Conselheiro um líder religioso e social.

É nas mediações do Raso da Catarina que ele se esconde em uma fazenda abandonada em 1893, junto com sua tropa de ex-escravos. Três anos após, ocorre uma das mais sangrentas guerras nordestinas, a Guerra de Canudos. “Armados até o dente”, os fanáticos seguidores de Conselheiro eliminaram três expedições do governo liderado pelo Capitão Antônio Moreira César, o “Corta-Cabeças”. Em 1897 o Exército Brasileiro monta um pelotão que tinha proposta de exterminar os “malucos” de Conselheiro e conseguem o feito de forma mais covarde. Antonio Conselheiro morre em 22 de outubro de 1897 vítima de ferimentos causado pelo massacre. A tropa militar retira seu corpo da sepultura e sua cabeça é levada para a Escola de Medicina de Salvador, que baseado no visão preconceituosa do determinismo europeu acreditava que a "loucura", a "demência" e o "fanatismo" podiam ser explicados na mistura de raças e nas características faciais do considerado "monstro dos sertões".

Entre as décadas de 1920 a 1930 o Robin Hood do sertão, o cangaceiro Lampião, roubava dos ricos para entregar aos pobres, mas a história desse terrível forasteiro começa quando ele resolve vingar a morte de seu pai, José Ferreira dos Santos e se alista na tropa do cangaceiro Sinhô Pereira. O Sinhozinho abandona a tropa e dá todo o poder a Lampião que passa a invadir cidades nordestinas. Antes da invasão, ele mandava uma solicitação pedindo ajuda aos prefeitos da época; caso a ajuda fosse negada, ele saqueava a cidade e se tornou assim, o bandido mais temido do nordeste brasileiro. Em 1938, a volante comandada pelo Tenente João Bezerra localiza Lampião, Maria Bonita (sua esposa) e seu bando, mata e decepa suas cabeças, que ficam expostas na escadaria da prefeitura da cidade de Piranhas (AL) e depois seguem para “estudos científicos” no Instituo Médico Legal, Nina Rodrigues em Salvador.

 

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