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Redução de recursos acentua
prejuízo na saúde e educação
Sexta-feira, 23 de outubro foi um dia de mobilização, de luta,
de conscientizar a sociedade sobre os problemas que os
prefeitos
enfrentam no dia a dia para melhoria das condições de vida de
seus munícipes. Sexta foi o Dia Nacional em Defesa dos
Municípios. E o auditório da UPB ficou lotado com as presenças
de prefeitos, vices, vereadores, deputados, senador, ministro,
presidentes de associações regionais e municipalistas de um modo
geral. Depois da exibição do vídeo mostrando dados comprovando
as perdas dos municípios neste ano de 2009, o presidente da UPB,
prefeito de Bom Jesus da Lapa, Roberto Maia
apresentou a pauta de reivindicações ao governo
federal e estadual.
“Em relação a arrecadação própria, as receitas dos municípios
cresceram neste primeiro semestre em relação ao primeiro
semestre de 2008 em 11,1%. Na receita de IPTU houve crescimento
em relação ao primeiro semestre de 2008 de 11,7 %. A receita de
ISS também houve crescimento de 14,9%. O ITBI é
o
único imposto municipal que se manteve
quase no mesmo patamar do ano passado,
crescimento de 3,1% refletindo a crise, pois ocorreram menos
transações imobiliárias. Os municípios dos estados da Bahia e
Paraíba foram os que tiveram maiores incrementos em suas
receitas próprias neste período, ou seja, os prefeitos baianos
estão fazendo a sua parte. Estamos aumentando a arrecadação
própria”, informou.
“Nas transferências estaduais, o ICMS que é a principal
transferência estadual, somou em termos nominais e brutos no
primeiro semestre de 2008, 105,4 bilhões de reais, chegando
agora em 2009 a 107,9 bilhões de reais, um crescimento de
2%. Apenas três estados em todo o Brasil tiveram
decréscimo da receita do ICMS. A Bahia foi o segundo estado que
mais perdeu, 4,61%. Os outros dois foram Amazonas e Minas
Gerais”, disse.
COMPARATIVO - O comparativo dos repasses da Bahia para os
municípios de janeiro a agosto de 2008/2009. O ICMS caiu 6,34%,
o IPI queda de 39,44%. E o único que cresceu foi IPVA (10,70%),
exatamente pela desoneração da indústria automotiva, pois houve
um aumento da venda de carros e, consequentemente, houve um
aumento do IPVA. O IPI que um imposto compartilhado com estados,
municípios e a União e nós tivemos um decréscimo de 39,44%. O
governo federal praticamente não perdeu. Houve novo aumento de
carros, aumento do IOF e do Cofins. Praticamente compensou toda
a perda que o governo federal teve em relação a questão do IPI.
Em relação o comparativo das transferências federais para os
municípios da Bahia de janeiro a setembro de 2009 houve uma
perda de 7,71 do FPM. O ITR caiu 29,98%. A Lei Complementar
87/96 perdeu 2,04%, a CIDE caiu 57,21% (manobra da Petrobras que
retirou muito recursos dos municípios). Ou seja, os municípios
baianos perderam 8,09% em relação as transferências federais. No
montante da dívida municipal em relação a previdência social, a
Bahia é o segundo maior devedor em todo o Brasil em relação ao
INSS (valor de 3.467.832.649,02). Só perdemos para o estado de
São Paulo. Mas conseguimos uma grande conquista que foi o
parcelamento da dívida
REIVINDICAÇÕES
- Pauta de reivindicações dos prefeitos baianos: em relação ao
governo federal, a regulamentação da Emenda Constitucional 29
que já tramita no Congresso Nacional e é fundamental para os
municípios. O governo federal emite 10% de seu orçamento na
saúde. A saúde é onde a população mais reclama por conta da
falta de recursos das prefeituras em fazer investimentos. Na
reforma tributária não dá mais para os municípios ficarem com a
menor parcela do bolo. Hoje o governo federal fica com 60%, os
estados 25% e os municípios 15%. Outro problema é a manutenção
dos valores estimados pelo Fundeb. No início do ano o governo
federal informou que os prefeitos teriam R$1.350,00 para gastar
com cada aluno/ano. Em setembro deste ano o governo federal
disse que só tem R$1.215,00 repassado aos municípios para cada
aluno, mas essa informação chegou muito tarde e muitos prefeitos
deram aumento aos professores, fizeram investimento em
construção de novas escolas, na educação, e não tem como fechar
essa conta até o final do ano. Por fim, o aumento no valor do
repasse para merenda escolar (R$0,22 não dá para oferecer
merenda escolar de qualidade aos alunos)
Em relação às reivindicações do estado: recomposição da perda do
ICMS (apenas três estados tiveram perdas).
O governo estadual perdeu arrecadação, mas o governo federal
também perdeu e o presidente Lula vem cumprindo a recomposição
do FPM. Nada mais justo que o governo do estado (primeiro
semestre deixou de repassar aos municípios algo
em torno de 500 milhões de reais) faça a reposição do ICMS.
Outro ponto é o aumento da contra partida estadual do Incentivo
para o Programa Saúde da Família. Repasse dos valores do
transporte escolar de responsabilidade do estado (ensino médio).
Segurança pública é um dos maiores problemas do estado e os
prefeitos vivem com dificuldades para atender os anseios da
população. A população cobra segurança pública dos prefeitos,
com o aumento do custeio para as delegacias, alimentação, ajuda
de custo, tudo jogado nas costas dos prefeitos. O governo
precisa repassar o aumento desse custeio. A garantia de que os
municípios não tenham perdas de recursos com o Programa
Pactuação Integrada (PPI). É preciso rediscutir os critérios. E
por fim a transferência de royalties aos municípios. A Bahia é o
único estado do Brasil que não repassa royalties aos municípios,
isso desde 1990 e precisamos contornar essa distorção e resolver
os problemas dos municípios.
BOLO
- No evento o prefeito de Salvador, João Henrique Cardoso pediu
melhor participação dos municípios no bolo tributário, diante da
“cruel receita tributária pessimamente distribuída”. O senador
César Borges falou de 2009 como ano especial da crise econômica
e que o governo federal encaminhou dois bilhões para resolver os
problemas dos municípios brasileiros e pediu mais quatro bilhões
para suprir o FPM, da LRF neste ano de exceção e propôs uma sub
comissão de assuntos municipais onde o município tem que ter
representação específica.
O
Secretário de Relações Institucionais do Governo do Estado, Rui
Costa (representante do governador no
evento) abordou a repactuação do bolo da receita e a
discriminação do bolo entre os entes federados, da necessidade
de um grande debate nacional sobre reforma tributária e se
colocou à disposição para fazer novos diálogos e aprimorar
parcerias. Já o Ministro Gedel Vieira Lima falou dos três rumos:
Congressista (ações d a
Emenda 29 e da reforma tributária), Executivo (quem está no
executivo realiza) e das soluções – levar ao Presidente
da República para resolver a questão do Fundeb.
O
deputado federal ACM Neto falou que a reforma tem que dar mais
autonomia, independência e liberdade aos municípios e disse que
vai encampar a luta pelos municípios na questão do Pré-Sal.
Prefeitos e presidentes de associações regionais mostraram seus
pontos de vistas no dia de esclarecimento à sociedade dos
problemas que afligem a administração municipal
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